A relacao entre NR-10 e NR-35 no trabalho eletrico em altura
As Normas Regulamentadoras NR-10 e NR-35 sao as mais relevantes para eletricistas que atuam em linhas de distribuicao, redes de alta tensao e torres de transmissao. Quando a atividade envolve simultaneamente eletricidade e trabalho acima de 2 metros, ambas as normas se aplicam ao mesmo tempo.
O que e a NR-10 e quem deve segui-la?
A NR-10 regula todas as atividades que envolvem geracao, transmissao, distribuicao e consumo de energia eletrica. Todo profissional que trabalha direta ou indiretamente com energia eletrica deve ter treinamento basico em NR-10 (40 horas) ou, para alta tensao, o treinamento complementar de 40 horas adicionais (SEP). Esse treinamento deve ser renovado a cada dois anos.
O que e a NR-35 e como ela se aplica ao eletricista?
A NR-35 estabelece os requisitos minimos para o trabalho em altura, considerando qualquer atividade realizada acima de 2 metros do nivel inferior. A norma exige:
- Analise de Risco especifica para cada atividade em altura;
- Permissao de Trabalho (PT) documentada;
- Treinamento teorico-pratico com carga horaria minima de 8 horas;
- Sistema de protecao contra quedas, priorizando a protecao coletiva (EPC).
EPIs exigidos para trabalho eletrico em altura
Para atender a NR-10 (protecao eletrica):
- Luvas isolantes de borracha com luva de cobertura (Classe adequada a tensao);
- Capacete Classe B com jugular nao condutiva;
- Vestimenta antichama com ATPV compativel;
- Calcados dieletricos 100% sem metal;
- Protetor facial com visor policarbonato anti-arco.
Para atender a NR-35 (protecao contra queda):
- Cinto paraquedista Classe A ou C com argolas e fivelas dieletricas;
- Talabarte tipo Y com duplo amortecedor de impacto;
- Trava-quedas deslizante certificado;
- Linha de vida ancorada em ponto fixo estrutural.
Cinto paraquedista dieletrico: interseccao entre NR-10 e NR-35
O cinto paraquedista dieletrico atende aos requisitos da NR-35, mas com todos os componentes metalicos revestidos com material isolante ou substituidos por pecas de polimero de engenharia. A escolha entre cinto Classe A (ancoragem dorsal) e Classe C (tronco e pernas) depende do tipo de atividade.
Fator de queda e forca de choque
O fator de queda e a relacao entre a distancia de queda livre e o comprimento do talabarte. A NR-35 exige que a forca de choque maxima transmitida ao corpo durante uma queda nao ultrapasse 6 kN. Por isso, talabartes modernos incluem amortecedores de energia que dissipam parte da forca no impacto.
Cintos dieletricos, talabartes Y, trava-quedas e luvas isolantes. Todos com CA valido e documentacao tecnica.
Perguntas Frequentes
Posso usar um cinto paraquedista comum em trabalho com eletricidade?
Nao. Para trabalhos que envolvem simultaneamente altura e eletricidade, o cinto paraquedista deve ser dieletrico, com argolas, fivelas e conectores isolantes. O uso de cinto com partes metalicas expostas em ambiente eletrico pode resultar em eletrocussao.
Qual a diferenca entre cinto Classe A e Classe C?
O cinto Classe A possui ancoragem dorsal e e projetado para parar quedas, sendo usado com talabarte Y anti-queda. O cinto Classe C possui ancoragem dorsal e ventral/lateral, sendo ideal para posicionamento em estruturas verticais como postes e torres. Ambas as classes devem atender a ABNT NBR 15834.
Todo eletricista precisa ter treinamento em NR-35?
Sim, se o eletricista realizar qualquer atividade acima de 2 metros. O treinamento minimo exigido pela NR-35 e de 8 horas teorico-praticas. A atualizacao deve ser feita sempre que houver mudanca nas condicoes de trabalho ou a cada 2 anos.